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Mutesz

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Mutesz é uma das línguas mais antigas de Evea, sua grande marca no mundo foi criar o primeiro sistema de escrita.

Esse sistema de escrita anos mais tarde se espalharia pelo mundo e daria origem aos scripts de Eleli e Kathłat.

Infelizmente, muito tempo se passou e apesar da língua continuar sendo falada, muitas coisas escritas antigamente e como lê-las foram perdidas.

Estas são 10 lições ensinando o básico sobre a língua, num período mais antigo quando seu sistema de escrita estava sendo desenvolvido.

  1. Nomes
  2. Possessivos
  3. Verbos
  4. Objeto do verbo
  5. Posposições
  6. Modo do verbo
  7. Pronomes
  8. Numerais e adjetivos
  9. Subordinados
  10. Obviação

Ver Apêndice para discorrimentos sobre o processo de fazer Mutesz.

Lição 1 - Nomes

Essas são algumas palavras usadas nas lições a seguir:

Os nomes acima estão na sua forma mais simples, como kot que significa "rei".

Essa é a forma singular de um nome, ou seja, se refere a apenas uma pessoa ou coisa. Para falar de mais que uma pessoa ou coisa se usa o plural.

O plural é feito por um sufixo, uma terminação colocada no fim da palavra. O sufixo para o plural é ut, então para dizer "reis" falamos kotut.

Porém, quando uma palavra termina em uma vogal, como ma "mãe", o sufixo muda para t, então para dizer "mães" falamos mat.

Para facilitar o entendimento dos exemplos, todos os sufixos serão separados da palavra raíz por pontos (.). Eles não são pronunciados e não seriam escritos em textos reais.

Veja todas as palavras anteriores no plural:

Para falar "A e B" em Mutesz, usamos u significando "e", por exemplo ma u sze "mãe e pai".

No plural apenas a última palavra recebe ut, então por exemplo ma u sze "mãe e pai".

Lição 2 - Possessivos

Os possessivos servem para se referir a coisas como "minha casa" e "sua casa". Em Mutesz, isso também é feito com sufixos, assim como o plural.

oo meu    katam.oo = minha terra
re seu kot.re = seu rei
ne dele(a) ma.ne = mãe dele(a)
am nosso sze.m = nosso pai

A vogal de am é removida pela anterior em sze.m, parecido com o que acontece no prefixo ut. Mas isso não acontece com oo, por exemplo ma.oo "minha mãe".

Outra forma é indicar a relação de posse entre A e B. Em Mutesz a estrutura da frase é A B.ki, então "casa do rei" é sak kok.ki.

O t no final de kot foi assimilado com o k, isso também acontece no encontro de t com outras consoantes.

Esse tipo de frase pode indicar várias outras relações, por exemplo îpu sak.ki "dentro de casa".

Esses exemplos mostram o plural das frases anteriores.

Lição 3 - Verbos

O verbo ser/estar é o mais útil em todas as línguas e pode ser usado para fazer algumas frases simples.

Verbos em Mutesz são conjugados por pessoa, isso significa que eles tem sufixos que indicam quem está fazendo o verbo.

Essa é a tabela conjugando o verbo at "ser". Você pode ver que o sufixo plural ut aparece novamente:

at.en eu sou
at.e você é
at.esz ele(a) é
at.enut nós somos
at.erut vocês são
at.eszut eles(as) são

Veja algumas frases simples:

Em Mutesz o verbo é a última coisa numa frase, e os nomes vão atrás dele. Então por exemplo a ordem das palavras é rei sou, em vez do português sou rei.

Todos os verbos são conjugados da mesma forma que at, basta substituí-lo na tabela anterior.

Assim como outros sufixos a vogal e é removida em nee.n, o mesmo acontece com as outras conjugações.

Os verbos na forma simples em Mutesz podem falar tanto do presente quanto do passado, então im.en pode ser traduzido como "eu corro" ou "eu corri".

Lição 4 - Objeto do verbo

O verbo além de sufixos pode ter prefixos, isso é uma terminação colocada no início da palavra.

Existem prefixos que indicam quem é afetado pelo verbo, os exemplos mostram a diferença entre o verbo começar com vogal ou consoante.

i me    i.nee.sz = me viu
o.os.esz = me cortou
e
r
te e.nee.sz = te viu
r.os.esz = te cortou
im
m
nos im.nee.sz = nos viu
m.os.esz = nos cortou
eru
er
vos eru.nee.sz = viu vocês
er.os.esz = cortou vocês

Em outros casos o verbo pode não precisar de um prefixo, como em 3anna sak nee.sz "a mulher viu a casa".

Na frase anterior é obvio que "a casa" que é afetada pelo verbo já que casas não veem. Mas o mesmo não aconteceria se uma pessoa fosse vista.

Na frase 3anna kot.an nee.sz o sufixo an é usado para mostrar que kot é afetado pelo verbo. Esse sufixo é usado principalmente em humanos, mas às vezes é usado com outras coisas para não causar ambiguidade.

Veja algumas frases de exemplo:

Lição 5 - Posposições

As posposições são sufixos que estabelecem relações de posição ou tempo. Mutesz tem apenas dois desses sufixos e eles podem ter várias funções.

A posposição a quando usada com pessoas significa que a ação é feita para ela, por exemplo sak sze.m.a poo.n "eu construí uma casa para nosso pai".

Mas quando a é usado em um lugar indica que o verbo acontece lá ou vai para esse lugar ike sak.a s.at.esz "a faca está em casa", o verbo recebe o prefixo s quando um lugar é mencionado na frase, ele pode ser traduzido como "lá".

Veja um exemplo usando os dois casos:

A posposição o3 tem vários significados um deles indica um instrumento usado ike.3 os.en "eu corto com uma faca", para lugares ele indica a origem sak.o3 im.en "eu vim correndo de casa".

As posposições também marcam tempo, por exemplo op.a sendo "durante a noite" e op.o3 sendo "desde a noite".

Essa tabela resume as relações:

Lugar Tempo Pessoa Objeto
a em, para enquanto para em, para
o3 de desde com, usando

Uma expressão com o formato X Y.o3 at.esz significa que X é feito do material Y.

Lição 6 - Modo do verbo

Outro grupo de prefixos usados em verbos servem para indicar a atitude ou intenção de quem está falando.

O prefixo ka faz com que o verbo seja negativo, por exemplo em kot ka.nee.n "eu não vi o rei".

Por outro lado o prefixo tza é o oposto do negativo, ele indica afirmativa, ênfase ou intensidade, como em sak.a tza.s.at.eszut "eles certamente estão em casa".

Quando respondendo uma pergunta de sim ou não, os prefixos ka ou tza são usados já que não existem palavras isoladas para "sim" e "não".

Para dar ordens se usa o prefixo pa, por exemplo em p.etz! dizendo "coma!", como de costume a vogal foi removida.

Ele pode ser combinado com ka para fazer proibições, veja outros exemplos:

Parecido com pa, o prefixo te expressa encorajamento quando direcionado a outras pessoas, mas também significa desejo ou "querer" quando direcionado a si mesmo, como nos exemplos a seguir:

Os prefixos ma ou a, as duas formas são válidas, expressam possibilidade ou dúvida como em ma.oo3.e? "você saberia?".

Ele é geralmente usado para complementar outra frase, por exemplo respondendo uma pergunta "o que você faria", uma resposta pode ser sak a.poo.n "eu construiria uma casa".

Lição 7 - Pronomes

Os pronomes pessoais isolados não são muito usados, já que eles podem ser indicados no verbo.

an eu
ara você
na ele(a)
ama nós
arat vocês
nat eles(as)

Mas os pronomes demonstrativos 3u e essze são usados para se referir a coisas já mencionadas, 3u significa "este", e pode ser usado como 3u sukut "este anel".

O pronome essze é relacionado com o sufixo sze que significa "aquele" ou algo que não está presente ou visível. essze se refere ao que foi introduzido com sze anteriormente.

Um exemplo de uso numa sequência de frases:

Para fazer perguntas podem ser usados os pronomes relativos ina e i3a que se referem a pessoas e objetos respectivamente.

Lição 8 - Numerais e adjetivos

Números de Mutesz até 32:

1 te 9 rite 17 sote 25 szute
2 na 10 rina 18 sona 26 szuna
3 ki 11 riki 19 soki 27 szuki
4 ou 12 ri 20 no 28 szoo
5 tepa 13 matte 21 note 29 szu tepa
6 napa 14 manna 22 nona 30 szu napa
7 kipa 15 makki 23 noki 31 szu kipa
8 enna 16 mat 24 szu 32 szu enna

Números e adjetivos ficam depois do nome e tudo junto recebe os sufixos no final, o plural ut não é necessário quando tem um número. Como por exemplo:

Os adjetivos de Mutesz são assim como nomes, mas muitas vezes eles são feitos de verbos que são transformados em nomes com o sufixo a por último.

Colocando o sufixo em taa "enviar" se tem taa.a que quer dizer "enviado", sukut taa.a sutza.3 at.esz "o anel enviado é de cobre".

Para fazer comparações pode se usar a estrutura Z X.ki Y un.esz que significa "X é mais Z que Y" ou mais literalmente "Z de X excede Y":

Para dizer que algo é "o mais" se usa un.a, como em sutza rik un.a "o cobre mais brilhante":

Lição 9 - Subordinados

Frases subordinadas são frases que ficam dentro de outras frases. Em Mutesz o verbo de uma frase subordinada recebe o sufixo a.

Por exemplo elas podem ser usadas para modificar um nome, como um adjetivo, para isso a frase subordinada começa com os pronomes ina ou i3a:

A frase subordinada é mostrada em colchetes [ ].

Esse mesmo tipo de construção pode ser usado como sujeito ou objeto de um verbo:

Essas frases subordinadas podem receber posposições assim como nomes, e com elas podem fazer relações com outra frase, a tabela a seguir mostra exemplos com o verbo poo:

o3 poo.sz.a.3 = depois que construiu
a poo.sz.a.a = quando construía
ki poo.sz.a.ki = porque construía
k.a poo.sz.a.ka = antes de construir

O prefixo î coloca o verbo no infinitivo, e tem significados como "o ato de", "a hora de" ou "o lugar de".

Lição 10 - Obviação

Verbos no padrão estão no passado ou presente, o sufixo si serve para indicar o futuro, por exemplo tzi.si.n "vou ir" e tumu as.si.sz "ele vai vencer".

Por fim existem sufixos e prefixos adicionais relacionados aos nomes com an, o nome marcado com an é chamado de obviativo.

Quando o verbo não tem um prefixo que diz quem é afetado, é subentendido que ele afeta o obviativo, mas caso ele seja quem faz a ação, então o verbo é marcado com o sufixo e3.

E se o não obviativo é o afetado se usa o prefixo ne, um exemplo de uso é dado na frase a seguir, onde o obviativo diferencia os argumentos do verbo.

Além dos sufixos possessivos já mostrados existe o sufixo 3e para a posse do obviativo:

O marcador de obviativo não é usado para objetos, porque normalmente objetos são fazem ações, mas caso aconteça pode ser feito com o prefixo ne e a posposição o3:

Toda essa complexidade de verbos em Mutesz às vezes é usada para formar palavras complexas que juntam o verbo e um objeto, como tzaap-s.im.a "um lugar para correr ou fugir".

A frase abaixo é um exemplo de uma frase complexa usando vários elementos aprendidos:

Nela há um comentário engraçado sobre um homem que traiu a mulher.

Apêndice

Mutesz foi uma língua criada apressadamente, o único motivo era explicar o sistema de escrita. A gramática é fortemente inspirada em Sumério, com algumas alterações.

Eu consegui fazer isso em aproximadamente um mês, que é provavelmente o mais rápido que eu já fiz uma língua até hoje.

Para quem estiver interessado esse é o inventário fonético de Mutesz:

Labial Interdental Alveolar Pós-Alveolar Velar
Plosiva p t̪ ⟨t⟩ t̠ ⟨tz⟩ k
Fricativa θ ⟨3⟩ s ʃ ⟨sz⟩
Sonorante m n ɹ̠ˠ ⟨r⟩
Anterior Central Posterior
Alta i ⟨î⟩ ɯ̈ ⟨i⟩
Média ɛ ⟨e⟩ ə ⟨u⟩ ɔ ⟨o⟩
Baixa a ⟨a⟩

Eu queria que tivesse a vogal [æ] no início, mas ter ⟨æ⟩ na ortografia ficava muito feio então acabei mudando pra [ɛ].

As vogais a e o podem ter 3 comprimentos a, aa e aaa. A ideia antes era ter vogais longas, mas acabou que acontecia muito de ter essas sequências longas.

A melhor explicação que é as vogais i e u se assimilam para a e ou o, enquanto î se torna um [j].

Tem também essas duas mudanças alofonicas:

t̠ > t̠ʃ / __{i ɯ̈}
ɹ̠ˠ > ɰ / __ɔ

t é assimilado com outras consoantes em encontros fomando geminados, mas 3 e r não podem ser geminados, nesse caso o t só desaparece, 3 e r também não podem aparecer no fim de sílabas.

Se um s fica antes de tz ele vai se tornar sz.

História

Mutesz criou um sistema de escrita logográfico que foi usado por muito tempo apenas por motivos religiosos, na maioria das vezes pra escrever nomes de pessoas importantes em túmulos.

Por volta de -1200 EV já era considerado um sistema de escrita maduro, mas ainda era pouco utilizado e só pessoas extremamente especializadas sabiam usar.

Depois que o bronze tomou conta do mundo os reinos de Mutesz se tornaram um lugar com muito fluxo de bens, e descobriram que a escrita era muito boa para anotar trocas.

Depois de uns 500 anos comerciantes usavam uma versão simplificada de Mutesz com um logossilabário e esse sistema de escrita se espalhou pra outras culturas que com muito tempo fizeram suas próprias adaptações para suas línguas.

E por fim com um evento catastrófico a sociedade de Mutesz perdeu muito inclusive a escrita tradicional, que foi substituída por um alfabeto mais simples assim como seus derivados.

Eu não vou mostrar como era, quando os resultados saírem você pode tentar descobrir você mesmo o que eram os glifos originais.

Eu tenho muita vontade mesmo de ter um sistema de escrita logográfico que eu pudesse usar, mas seria um esforço que eu poderia usar para terminar as outras conlangs que eu considero mais importante.

Talvez depois de tudo eu possa fazer outro retcon massivo como já aconteceu diversas vezes em todo esse projeto.

Relações de Mutesz

Como Mutesz fica no meio do continente provavelmente ele fez umas conexões entre o norte e o sul que são separados geograficamente por uma zona muito árida.

O povo de Mutesz chamam eles mesmos de Maatesz que significa "os nobres" e a própria terra de Maat. Os povos próximos seriam chamados com nomes feitos por eles mesmos como Naru3aszki e Issutzeszat.

Eu preciso pensar em que tipo de coisas poderia sair de Mutesz e se espalhar pelo mundo tal qual aconteceu com a Mesopotâmia na Terra, por exemplo até hoje usamos base 60 pra contar minutos e segundos. Também dizem que eles inventaram mapas, mas eu acho que pessoas inventaram mapas várias vezes.